Idade das crianças ainda é barreira para a adoção


No País, 71,5% das crianças na fila à espera de pais adotivos têm mais de 12 anos

“No primeiro dia, ela já nos chamou de pai e mãe. A adaptação foi muito rápida”. O relato é de Marly Beleza que acaba, junto com o marido, Gilberto Vicenzo, de adotar Mariana, de 2 anos de idade. A maioria das crianças em abrigos no País, entretanto, não tem o mesmo ‘final feliz’. A idade é o maior empecilho para que elas ganhem uma família.

A equação parece simples de ser resolvida, já que existem 39.669 pessoas interessadas em adotar e 7.621 crianças à espera de um lar no Brasil. O problema é que 93,6% dos futuros pais preferem crianças com até 5 anos de idade e 71,5% delas têm mais de 12 anos.

Os números da fila da adoção em Santos se parecem com os nacionais. Segundo a Vara da Infância e Juventude do Município, há 95 processos com pedidos de adoção para uma fila de apenas sete crianças e adolescentes à espera de pais adotivos. Deste total, duas têm 10 anos e as outras cinco têm entre 12 e 17 anos. 

“Queria passar por todas as fases do filho. Quero trocar fralda, dar mamadeira, contar historinha na hora de dormir”. Esse também é o desejo dos casais que optam pela adoção, relata a presidente da Casa da Vó Benedita, em Santos, Elizabeth Rovai de França. “Por isso, com o passar da idade, vai ficando cada vez mais difícil conseguir um lar para elas”, completa.

Marly e Gilberto toparam pular algumas dessas etapas. Quando entraram na fila de adoção e determinaram o perfil do filho, não exigiram cor da pele, nem sexo. Assim, chegaram até Mariana, de 2 anos. 

Os novos pais não se arrependem. “A aceitação de familiares e amigos foi muito boa. Não sentimos preconceito em nenhum momento. Consegui tudo o que precisava com o plano de saúde e também licença maternidade”, comemora Marly.

Como tatuagem

Os planos dos dois começaram em 2002, quando ainda eram namorados. Em 2004, veio o casamento e em 2013 eles deram entrada no processo de adoção. Naquele mesmo ano, Marly engravidou, mas o feto não resistiu.

“Quando demos entrada na documentação (para a adoção), não sabia que estava grávida. Mas mesmo com o filho biológico, continuaríamos com o processo. Sempre quisemos um filho biológico e outro do coração”, conta.

 Ainda no hospital, se recuperando do aborto espontâneo, um enfermeiro reparou que uma veia na mão direita de Marly havia ficado em formato de coração. 

“Você pode até não acreditar, mas ali tive a certeza que nosso filho seria do coração”, lembra ela.

 O processo da adoção de Mariana durou quatro anos. Nesse período, o casal passou por diversas avaliações até o dia tão desejado em que receberam um telefonema do fórum. “Quando me ligaram, falei para o meu marido: corre para a maternidade que a bolsa estourou”, brincou Marly, na época.

Daqui a dois anos, eles pensam em adotar outra criança. “O que mais mexe com a minha família é ela ter vindo na mesma semana em que meu pai faleceu”, completa a mãe de Mariana. 

Mudança de pensamento

Para que mais crianças tenham o mesmo destino de Mariana, a presidente da Casa da Vó Benedita comanda grupos de apoio à adoção em Santos. “Além de informar e dar encaminhamento aos futuros papais e mamães, o objetivo é conscientizar”, diz Elizabeth. 

O trabalho é de formiguinha, mas dá resultado. “Eles entendem que toda criança precisa de uma família e vão aceitando até grupos de irmão. Hoje, os casais estão muito mais bem preparados e com menos preconceitos que há alguns anos”, comemora ela.

Fonte: http://www.atribuna.com.br/noticias/noticias-detalhe/cidades/idade-das-criancas-ainda-e-barreira-para-a-adocao/?cHash=11d6fde29deb3fd515e1c36616f5d463


Rua Doutor Loyolla, 533 - Sala 1
Vila Tibério
CEP: 14050-070
Ribeirão Preto - S.P.
Fone: (16) 3019-2084


Aberto:
Segunda as Sexta das 14h às 18h
Reunião aberta na última quinta-feira de cada mes as 19:30h
Copyright © 2017 | Grupo de Apoio e Incentivo de à Adoção de Ribeirão Preto